Hoje, mesmo com sol, está um dia chuvoso e triste porque a alma e o coração de duas mães, está despedaçada e sofrida.
Sei o que isso é! Mas por mais que eu diga, escreva ou por maior que seja a minha solidariedade, não adianta.
Nada nos acalma neste momento… e as palavras que se ouvem, são apenas murmúrios que nos chegam aos ouvidos e que apenas poderão ficar guardadas no nosso subconsciente, para nos lembrarmos delas um dia. Mais tarde, quando esta dor, estiver mais adaptada a nós ou nós a ela…sim, será mais isso. Acabamos por nos adaptar a essa dor e torná-la mais tolerante. Mas a falta, essa falta que nada nem ninguém consegue aliviar, nem sequer outro ou outros filhos que haja.
Podemos amá-los a todos, mas como seres únicos que são, nenhum deles substitui outro.
No coração de uma mãe cabem todos os corações dos filhos, mesmo que tivesse cem !
Por isso, quando essa mãe perde um filho, essa dor é imensa, incomparável e apesar da morte fazer parte da vida, nenhuma mãe está preparada para perder um filho. Por ser “antinatural”, a morte imprevisível do filho é a que mais destabiliza alguém. É a pior situação humana, não há perda maior. Não tem nada de comparável! Para uma mãe, aceitar essa perda como um facto é insuportável e corre o risco de morrer também, se aos poucos, não se tomar consciência de que o nosso filho não vai voltar, não vai estar nos mesmos lugares em que gostava de estar e se sentia bem, acabamos por entrar em grande depressão ou melancolia.Também sei o que é !E também sei o que é quando não compreendem a nossa dor. Nesses momentos a seguir à perda, todas as sensações de segurança, felicidade, esperança e qualquer entusiasmo e previsão de futuro, deixa de existir. E apercebemo-nos que ficámos vazias e sem chão.Não há ex filho nem ex mãe!Eu só deixarei de pensar no meu, quando a vida se esquecer de cuidar de mim, e eu deslize eternamente, para os braços dele!
Rosa Ferreira